Diversos bancos se preparam para ingressar no novo e promissor mercado do consignado (empréstimo com desconto em folha) imobiliário.
Parte de um pacote de incentivos ao setor da construção, lançado no final do ano passado pelo governo federal, a modalidade oferece vantagens ao mutuário: o valor total pago pode ficar até 6% inferior ao financiamento imobiliário tradicional (uma economia que chega aos R$ 15 mil em um financiamento de 30 anos), de acordo com simulação feita pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
Pela projeção, se financiasse R$ 91 mil de um imóvel avaliado em R$ 130 mil, via carnê (com juros de 10% ao ano mais TR), o mutuário terá pago ao final do período um total de cerca de R$ 245 mil, enquanto nos mesmos 30 anos, com débito em folha (a juros estimado em 9% mais TR), terá desembolsado R$ 230 mil.
Por conta do risco mais baixo – que possibilita o juro menor –, devido à garantia do pagamento pelo desconto na folha salarial e também pelo forte boom imobiliário no País, a modalidade atraiu bancos médios como o Bonsucesso e o Daycoval, que acabam de ingressar nesse mercado.
Grandes bancos, como o Banco do Brasil e o HSBC, também podem entrar em breve nesse segmento. O BB planeja lançar uma experiência piloto neste mês e o HSBC informa que estuda a possibilidade de ingressar na área.
Por sua vez, a Caixa Econômica Federal já atua no mercado, mas oferece apenas para seus próprios empregados, por meio de convênio com a Funcef (Fundação dos Economiários Federais) – com taxas reduzidas em até 0,75% em relação às praticadas pela própria instituição dentro das regras do SFH (Sistema Financeiro da Habitação).
Pequenos - Já forte no empréstimo com desconto em folha para o consumo, o mineiro Bonsucesso acaba de ingressar no consignado imobiliário em Minas Gerais, em parceria com o governo e prefeituras locais (o foco são os servidores públicos). No entanto, a intenção é em breve estender para outros Estados.
O diretor executivo, Ricardo Toledo, afirma que as perspectivas são excelentes. A instituição captou R$ 1 bilhão para financiar imóveis residenciais com prazos de 10 a 15 anos para quitação e a meta é ter esse volume em empréstimos até o final de 2008, o que representará um terço dos negócios do banco.
Outro que ingressou na modalidade foi o Daycoval, que é especializado em crédito para pequenas e médias empresas.
A instituição também centra o foco nos funcionários públicos, por meio de convênio com prefeituras – de Natal (RN), Salvador (BA) e Fortaleza (CE), entre outras.
Setor da construção se anima com modalidade de crédito
Leone FariasDo Diário do Grande ABC
Especialistas e representantes do setor imobiliário ouvidos pelo Diário vêm com otimismo a nova modalidade de empréstimos para a área habitacional.
Para a diretora regional do SindusCon no Grande ABC, Rosana Carnevalli, como o pagamento da prestação é debitado diretamente da folha salarial, o risco passa a ser menor para os bancos. “Com isso, podem trabalhar com juros menores”, disse.
No entanto, por enquanto o foco das instituições financeiras tem sido os funcionários públicos, que de modo geral, têm estabilidade de emprego. Segundo o professor de mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, essa é uma questão importante, quando se leva em conta que os prazos de financiamento são de longo prazo.
A diretora do SindusCon avalia ainda que a nova linha é um estímulo para as construtoras desenvolverem produtos (imóveis) na faixa de R$ 50 mil a R$ 60 mil, para atender ao público formado, por exemplo, por professores e outros funcionários públicos. “A classe média está carente de moradias, o déficit habitacional é alto”, afirma Rosana.
Leite ressalta ainda que novas regras recentemente aprovadas na área imobiliária favorecem a entrada dos bancos em financiamentos habitacionais. Uma delas é a alienação fiduciária, que facilita a retomada do imóvel em caso de não pagamento.